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não pensam nos outros, porque não se revêem nos outros e porque criaram uma
legitimidade própria para a sua forma de violência e nisto se parecem com os proponentes
da violência periférica. De modo que, só o genealogista pode salvar a cidade das suas
duas violências: a violência daqueles que estão estampados como violentos e a violência
daqueles que dormem apesar de serem tremendamente violentos. O genealogista é o
filósofo, diz o Nietzsche de Foucault e de Deleuze, mas não aquele filósofo que aceita
que todo o mundo olhe para ele como aquele que reflecte nas coisas ou que medita nas
coisas, como se as outras áreas do saber não reflectissem, não meditassem. O genealogista
é aquele que traz um começo, que “cria um começo” e que reinventa um começo a partir
da dor e da cura. A cidade deve ser filosófica não para fazer aquilo que já foi feito, aquilo
que já foi criado. O genealogista não pode aceitar os conceitos que servem apenas para
o” limpar e fazer brilhar” numa falsa luminosidade. O genealogista deve dar a cidade o
entendimento do entristecimento. O genealogista enquanto educador não traz apenas a
reflexão e a contemplação, traz sobretudo para a cidade o entristecimento porque vem
para dizer aos outros aquilo que eles não querem ouvir, vem para dizer aquilo que mais
ninguém diria. É por isso que a resposta filosófica deve ser dura contrariamente às outras
áreas do saber, porque é uma resposta que consiste no entristecimento. A filosofia como
educação encara um entristecimento, mas um entristecimento alegre porque conduz à
libertação. Ela oferece-nos a possibilidade de perguntarmo-nos, o que somos, o que
fazemos e se a nossa resposta for honesta connosco mesmo poderemos fazer um bom
trabalho para a cidade. O genealogista é um incomodador, só pode incomodar e só deve
incomodar para a libertação, tem que proporcionar aos outros um comportamento de
Lisias de Fedro. Ter vergonha do que se pensa saber.
Por último, dizer que esta 13ª edição contém alguns artigos publicados na revista
OPINIÃO FILOSÓFICA da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul
(PUCRS), traz as mais variadas reflexões no âmbito académico-científico.
A este respeito o Professor Flaviano Kambalu reflecte sobre o conceito de pessoa, a sua
complexidade e a sua relação com a unidade africana. Tenta encontrar os princípios e os
fundamentos metafísicos que podem sustentar a possibilidade da união.
O Dr. Nlando Faustino reactualiza ao histórico pensador das independências (à sua
maneira) Frantz Fanon. Através da obra “Os condenados da terra” de Fanon, faz uma
leitura desconstrutivista da colonização vista como uma oportunidade para a civilização.
Recusa com Fanon, a ideia de que a “colonização igual a civilização e paganismo igual a