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produtivamente», utilizando para este efeito os seus sábios. Contrariamente aos outros
povos que «têm santos, os gregos têm sábios», diz Nietzsche, e são estes sábios que vão
fazer com que a filosofia tenha um sentido profundo e original para o grego, justificando
assim a sua aposta, a sua protecção e a utilidade da sua futilidade.
Apesar dos gregos terem podido trazer a filosofia das outras paradas orientais, como diz
Nietzsche, não tiveram nenhuma moda que lhes pudesse ajudar ou facilitar as coisas.
Tiveram que inventar a sua própria imaginação, tiveram que filosofar com «uma
puberdade madura onde brotava a fogosa alegria de uma vitoriosa e valente idade viril
».
Em outras palavras, tiveram que superar a idade da infância humana, a infância social e
tiveram que se fazer responsáveis. Esta é também uma das condições de aprendizagem
ou do aprender: fazer-se responsável, emancipar-se e dar conta de si e dos outros, «pois
quanto mais fazemos sobre as coisas mais pensamos sobre elas ou mais desenvolvemos
pensamentos sobre elas». O nosso aprender está relacionado com um espaço concreto,
com um lugar, com uma referência, com um encontro-chegada-regresso. No fundo o
nosso aprender está relacionado com uma história concreta ou com uma meta-história,
está relacionado com um padrão que nos vai dizer que as condições para aprender exigem
abc. A tarefa de aprender não é compatível com o tempo apressado, com o tempo que se
assimila ao material. O aprender é como ler um livro que está destinado a:
[…,] leitores tranquilos, a homens que ainda não foram arrastados pela vertiginosa
pressa da nossa agitada era e que ainda não sentem o prazer idolatra quando olham
para baixo das sua rodas […] quer dizer! Há poucos homens. Estes ainda não estão
habituados a estabelecer o valor de cada coisa segundo a poupança ou os gastos do
tempo, estes «ainda têm tempo»: ainda lhes é permitido, sem culpar-se de nada,
seleccionar e reunir as melhores horas da jornada e os seus momentos mais fecundos
e vigorosos para reflectir sobre o futuro da nossa educação; estes podem ter a certeza
que chegaram à noite de uma forma proveitosa e digna, a saber na meditation generis
futuri (meditação sobre o género futuro). Um homem assim, ainda não se esqueceu de
pensar enquanto lê, ainda compreende o segredo de ler entre linhas, mais ainda, é de
uma natureza tão prodigiosa que reflecte sobre o lido, talvez muito tempo depois de
ter deixado o livro. E, sem dúvidas não para escrever uma resenha ou outro livro, mas
simplesmente para reflectir
.
O aprender seria portanto um viver sem pressa, um estar sem pressa, um existir sem
pressa. Um ser no desconhecimento. Mas sabemos que isso não é possível. Não é possível
Cf. Friedrich Nietzsche, Obras completas. Vol 1; Filosofía en la Época Trágica de los Griegos. Trad e
introduc. Joan B et alt. Tecnos, Madrid, 2011. p., 574.
Cf. Opus. cit., Pensamientos sobre el Futuro de nuestras Instituciones Educativas. p., 549.